terça-feira, 30 de junho de 2009

Pesquisa beneficiará produtores de mel de Simplício Mendes - PI

Tábata Magalhães

Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí pretendem aumentar a produção de mel no município de Simplício Mendes, localizado a 416 km de Teresina, a partir da aplicação de técnicas recomendadas para o manejo das abelhas africanizadas, espécie comum na região.

Segundo o orientador da pesquisa, doutor Darcet Costa Souza, as abelhas africanizadas são resistentes às doenças e adaptáveis ao clima quente, mas existe a necessidade de adequação do manejo para que se tenha um aproveitamento melhor da produção. “Boa parte das orientações técnicas para abelhas africanizadas foram aplicadas no eixo sul-sudeste, que é um clima diferente, não tem período seco. É preciso se adequar a tecnologia e colocar isso em teste na região semi-árida do Piauí”, explicou.





O manejo adequado consiste na substituição das abelhas rainhas africanizada, sombreamento dos apiários, fornecimento de alimentação e acompanhamento periódico das colméias. A partir do comparativo entre dois apiários convencionais e dois recomendados, com 20 colméias cada um, é feita uma avaliação da produção. “As técnicas tornam as colméias mais produtivas e as deixam preparadas para a época de ausência de chuvas, que geralmente começa depois dos quatro primeiros meses do ano”, informou o professor.

A pesquisa só será finalizada em 2010, mas, segundo Darcet Costa, ela tem apresentado bons resultados. “Já obtivemos uma produtividade maior nos apiários experimentais. Visto ainda que a tecnologia é de fácil aplicação e rentabilidade, ela é ideal ao pequeno produtor do sertão”, disse.




A partir dos resultados da pesquisa, cerca de 900 produtores da Associação de Apicultores de Simplício Mendes poderão ser beneficiados. “Divulgaremos um documento com os dados para que as técnicas recomendadas sejam utilizadas em campo. Não podemos perder de vista o baixo nível de formação dos nossos produtores, por isso há a necessidade de um trabalho continuado”, concluiu Darcet.

“Projeto da Suzano precisa de mais discussões no Piauí”, diz agrônomo

Tábata Magalhães

A implantação de 160 mil hectares de eucalipto pela indústria “Suzano Papel e Celulose” na região de Nazária está prevista para o próximo semestre no Piauí. Entretanto, o estudo de impacto ambiental proposto pela empresa ainda não convence os profissionais de meio ambiente do estado.

A ressalva é do professor doutor Arnaud Azêvedo Alves, coordenador do curso de Agronomia da Universidade Federal do Piauí e um dos participantes da audiência pública promovida pela Suzano neste mês. “As informações contidas no estudo da STPC Engenharia, responsável pelo projeto, são pontuais e têm um objetivo consolidado. Além disso, a própria Secretaria de Meio Ambiente do Piauí justifica que serão promovidas tantas audiências públicas quanto necessárias para o devido convencimento do Governo”, disse o professor.

Dos hectares de eucalipto que serão plantados, cerca de 50 mil hectares serão em propriedades de produtores, em sistema de consórcio, o que representa, para Arnaud Azevedo, uma área grande e com possibilidade de sofrer impactos ambientais.

“A exemplo do que ocorreu com a produção de cana-de-açúcar em São Paulo, de pastos no Rio Grande do Sul, tememos que a longo prazo o Piauí perca sua diversidade e se torne em um grande ‘deserto verde’, com baixa densidade demográfica e poucas opções para a manutenção de vocações locais como a caprinocultura e apicultura”, relatou.

Apesar dos ganhos financeiros sob a forma de divisas para o estado e a geração de emprego com a instalação da indústria no Piauí, para Arnaud é necessário um planejamento antes da instalação da Suzano. “Precisamos conhecer esta proposta de forma concreta para nortearmos o poder público na tomada de decisões, colocarmos nossas ideias e ouvirmos as dos técnicos, sociedade, legisladores e gestores”, ressaltou.

Veja mais:
http://www.gterra.com.br/empresarial/suzano-investira-us-22-bilhoes-no-piaui-nos-proximos-anos-14383.html

Você sabe o que é feito com o lixo hospitalar de Teresina?

Denise Cordeiro

Teresina é considerada um pólo de saúde para as regiões Norte e Nordeste do país. Maranhão, Ceará, Bahia, Pernambuco e Pará são os Estados que enviam mais pacientes para a capital piauiense para tratamento médico. Com tanta gente para atender, o lixo hospitalar da cidade cresce e as preocupações de como ele é armazenado, coletado e descartado no meio ambiente também.

Seringas, bolsas de sangue usadas, frascos de soro fisiológico, membros amputados em cirurgias. Tudo isso pode conter centenas das mais variadas bactérias e vírus nocivos aos seres humanos e o tratamento despendido a esse tipo de lixo deve ser especialmente observado.


Hospitais e prefeitura nem sempre se entendem quanto à questão de armazenamento e coleta, mas uma coisa é certa: Teresina ainda não possui local adequado para o despejo do lixo hospitalar produzido na cidade.

Apesar de a prefeitura informar que está sendo construído um aterro sanitário especializado para receber o que é descartado pelos hospitais, há muitos anos toda a coleta tem sido lançada em um aterro sanitário que não é o mais apropriado para a situação e a própria prefeitura admite. “Na verdade o que nós temos é um aterro controlado, e não um aterro sanitário, mas este já está sendo providenciado”, diz Marcílio Bona, engenheiro da prefeitura encarregado do aterro sanitário.

A questão da impermeabilização de solo e tratamento do chorume (dentro do lixo vai um líquido chamado chorume, que vem dos resíduos. O líquido vai para uma lagoa, onde passa por uma decantação e vai para uma segunda lagoa, onde é oxigenado para seguir para a estação de tratamento e só depois se encaminhado para os rios) é muito importante. “Por enquanto, nós não estamos fazendo isso. Esse chorume está sumindo através de evaporação e infiltração”, fala Bona.

Segundo ele, as obras do novo aterro precisaram ser paralisadas por causa das chuvas, o que atrasou sua finalização que ainda não tem prazo para conclusão. Por conta disso, a prefeitura tem trabalhado apenas com duas das oito células que serão construídas para o despejo do lixo hospitalar da capital.

Apesar do esforço atual da prefeitura, a existência de um lugar para se despejar esse lixo, por si só, não é suficiente para livrar o meio ambiente de possíveis contaminações. Os hospitais também precisam fazer a sua parte e é aí que mais problemas começam a aparecer.

Conversando com os três maiores hospitais públicos da cidade: Hospital Getúlio Vargas (HGV), Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER) - estaduais - e Hospital de Urgências de Teresina (HUT) - municipal - dizem que cumprem sua parte separando o lixo hospitalar ou biológico do lixo orgânico ou domiciliar, mas, o relatório feito pela prefeitura que discrimina quais instituições de saúde fazem a separação desse lixo nega que o HGV e a MDER façam a separação adequada.

É bem verdade que ambos possuem um abrigo para armazenar os resíduos separadamente até que o caminhão de coleta recolha-os, entretanto, apesar de seguirem as resoluções 358 do CONAMA (Conselho Nacional do meio Ambiente) e 306 da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) - que falam sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde e dá outras providências -, todo o descartado pelas instituições fica no mesmo local, e apesar de ser guardado em sacos de cores diferentes, a prefeitura diz que não pode tratar os orgânicos separadamente, pois julga que não sejam discriminados como se deveria e o trata como se fosse todo hospitalar.

“Nós estamos tendo dificuldade porque os hospitais não tem separado o lixo orgânico do hospitalar. E, por considerarmos que ambos vem misturados dos hospitais, o aterro acaba sendo prejudicado, porque quanto mais lixo junto, pior para o solo. Além disso, a empresa também é prejudicada por recolher mais lixo do que nós (a prefeitura) a pagamos para coletar”, comenta Bona, explicando que a gestão municipal para o recolhimento de 80 toneladas de lixo hospitalar, mas a Quálix coleta em média 200 toneladas por dia.

De acordo com o engenheiro, apenas quatro estabelecimentos de saúde da capital fazem a segregação do lixo: Hospital São Paulo, Hospital Casa Mater, HUT e Hospital São Marcos.

Contudo, o HGV e a MDER rebatem as afirmações do órgão municipal. “Desde 2004, quando foi inaugurada a Central de Resíduos com a proposta de atender não só ao HGV como ao Ambulatório, o HEMOPI e o Hospital Infantil, nós temos trabalhado a segregação do lixo entre os grupos A (potencialmente infectantes), B (químico), D (comuns) e E (pérforo-cortantes), além do lixo reciclável. Todos são devidamente armazenados em sacos de cores diferentes. Apenas o grupo C (radioativos) não é tratado porque nós não trabalhamos com ele aqui no hospital”, disse a coordenadora da Central de Resíduos do HGV, enfermeira Odinéia Leite.

Ela ainda acrescenta que os grupos A, B e E passam por um autoclave - aparelho utilizado para esterilizar artigos através do calor úmido sob pressão - e, posteriormente, são levados para o aterro sanitário com um carro próprio do hospital, já que a prefeitura não envia um veículo adequado para a coleta desse material, ou seja, um coletor que não faça a compactação do lixo recolhido.

Perguntada por que a prefeitura considera que eles não separam o lixo, Odinéia fala que talvez falte comunicação entre o hospital e a administração municipal “O caminhão só passa aqui no hospital uma vez por dia. Eles precisariam mandar dois carros diferentes para buscar lixos diferentes em horários distintos. Acho que falta comunicação em relação a isso”.

Para confirmar a fala da enfermeira, a gerente do serviço de higiene e transportes do HUT, Silvete Dourado, conta que é exatamente como Odinéia sugere que acontece no estabelecimento. “O caminhão passa aqui duas vezes por dia (uma de manhã e outra à tardinha) para recolher os lixos domiciliar e biológico, é preciso que seja assim, já que são resíduos que precisam de tratamento diferenciado”, conta.

Sobre esse fato, Marcílio Bona informou que já planeja entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) para trabalharem esse entendimento entre o órgão e as instituições de saúde.

Mas até que tudo seja devidamente estruturado para evitar danos ao meio ambiente, os erros continuam e a degradação ainda não é controlada como a sociedade gostaria que fosse.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

“Lixo? Eu chamo isso de matéria prima fora da linha de produção”

Sanmya Meneses

Caminhões e pé na estrada. Por vinte anos essas foram as palavras de ordem para o motorista João Marçal de Bezerra. Trabalhando no transporte de garrafas pets e adubos orgânicos, o carreteiro começou a observar a riqueza do ‘lixo’ que ele conduzia.

Levado pela crise no setor de transporte, João Marçal foi obrigado a procurar alternativas para sustento. Com tesoura, garrafas pets e uma boa idéia, o ex-motorista de caminhão transformou o que antes era desperdiçado, em uma forma de ganhar a vida. Desde 2002, ele mantém uma empresa de fabricação de vassouras a partir do reaproveitamento de garrafas pet.

“Eu costumo dizer que essa idéia foi algo completamente inesperado. Já observando o material que eu transportava, resolvi pegar uma tesoura e colocar a ‘mão na massa’. No início foi muito difícil; mas com a prática eu fui entendendo o funcionamento da matéria prima. Hoje, eu utilizo o bisturi no lugar da tesoura, pois os resultados são bem melhores’, conta Marçal.



Produzindo cerca de 150 unidades por dia, o pequeno empresário conta com uma equipe de dois funcionários e mais três pessoas responsáveis pela coleta de garrafas nas ruas, além de dezenas de voluntários que também contribuem para que o trabalho seja realizado. “Uma ajuda bastante importante que eu tenho é da Rádio Pioneira de Teresina. Vários ouvintes me procuram e eu vou até as residências fazer a coleta das garrafas”, ressalta.

Mesmo com essa ajuda a carência de garrafas ainda é grande segundo o microempresário. Os produtos são fornecidos para hospitais, empresas e também para a Prefeitura Municipal de Teresina, totalizando cerca de 3.500 vassouras por mês. Produção essa, que segundo João Marçal poderia ser dobrada caso ele tivesse acesso a mais garrafas de plástico.


CONSCIÊNCIA AMBIENTAL E ECONOMIA

As vassouras de pet chegam ao consumidor final por um valor de R$ 4, 00, o que no bolso significa uma economia de até 50% em comparação as vassouras semelhantes que existem no mercado. Para a empregada doméstica Claudete Silva, as vassouras recicladas são muitas vezes mais eficientes do que as comuns. “Para alguns tipo de serviço, como lavar banheiros, essas vassouras são mais indicadas, e ainda duram bem mais tempo que as outras”, afirma ela.

Mais do que uma forma de poupar dinheiro, a reciclagem é uma ferramenta importante para a sustentabilidade do planeta, mas que ainda é pouco utilizada em Teresina. Segundo o ex-caminhoneiro, algumas visitas ao aterro sanitário da capital o fizeram perceber a quantidade de plástico e de material orgânico que poderia ser reaproveitado. “Eu não gosto nem de chamar isso de lixo, para mim isso é matéria prima fora da linha de produção”, afirma João Marçal.

Uma garrafa plástica pode levar um milhão de anos para decompor-se. Quando o plástico é depositado em lixões, os problemas principais são relacionados à queima ou ao acúmulo do material. O excesso de plástico no meio ambiente altera a decomposição dos materiais biologicamente degradáveis, comprometendo as trocas de líquido e gases necessárias para o processo de decomposição.

O microempresário esclarece que apenas 10% dos produtos comercializados em Teresina têm procedência da reciclagem. Os produtos mais freqüentes são as sandálias femininas da marca Gaúcha, que são comumente encontradas no centro da capital.

Entusiasmado, o empresário afirma que a reciclagem poderia ser uma alternativa para o desenvolvimento do Estado. “Além de empregos, a receita de ICMS (Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços) gerado pela venda desses produtos iria contribuir para entrada de dinheiro no Piauí”.

Mais do que financeiramente recompensado, João Marçal se emociona ao falar que mais do que dinheiro a reciclagem proporciona que ele tenha diariamente um verdadeiro exercício de ajuda ao meio ambiente.


Fábrica de Vassouras de Garrafas Pets
Rua Gabriel Ferreira 1353- centro. Teresina -PI
Fone : (86) 3081 7274

Aprenda a fazer uma vassoura de garrafas pet



domingo, 28 de junho de 2009

Após a enchente, agricultores aproveitam umidade do solo para plantar novamente

Fonte: Globo Rural

Agricultores da zona rural de Teresina, que tiveram prejuízos com a enchente, estão recebendo sementes para um novo plantio. Eles querem aproveitar a umidade das áreas de vazante para recuperar parte das perdas.

O agricultor Adaildo Braga tem um pequeno terreno na zona rural de Teresina. Em Janeiro, plantou feijão, mas perdeu tudo com as enchentes que em maio destruíram as lavouras e deixaram mais de 60 mil pessoas desabrigadas no Estado.

Agora, é hora de plantar novamente. Como o último período chuvoso foi intenso, na região será possível colher feijão e milho até o final do ano.

A área que foi alagada se transformou em terra fértil. A umidade do solo é o que vai garantir o crescimento da planta, sem depender de chuvas. É a chamada agricultura de vazante.

A distribuição das sementes vai até o fim de junho. Cada família receberá da prefeitura cinco quilos de feijão e três quilos de milho. Na margem do Rio Parnaíba. Sessenta famílias já iniciaram o plantio com as sementes que receberam do governo.

Segundo a Emater, Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí, cinquenta e cinco toneladas de sementes de arroz, feijão e milho já foram distribuídas aos agricultores do Estado. São sementes para o plantio de vazante.


Assista o vídeo abaixo.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Moda ecológica: peças confeccionadas a partir de garrafas pet ganham espaço nos guarda-roupas

Clara Rocha

Preservação ambiental também está na moda. Há algum tempo a moda mundial e nacional já demonstra sinais de preocupação com a preservação do mundo em que vivemos. Desde o ano passado, marcas famosas nacionais, como a Redley e a Osklen desfilaram coleções ecologicamente corretas. Eram camisas, calças, bermudas, mochilas e até calçados feitos com materiais reciclados. Entre eles borracha de pneus velhos, além das peças feitas com fibra de bambu – que tem um processo de crescimento bem mais rápido do que das outras matérias primas – e do algodão que já era plantado e colhido com cores como o amarelo, rosa, vermelho, etc.

Mas a mais nova descoberta e novidade do mundinho fashion e ecológico são as peças feitas com garrafa pet. São blusas, vestidos, bermudas que se transformam em peças confortáveis e maleáveis após passar por um processo que transforma os milhões de garrafas pet descartadas diariamente em roupa. Atualmente marcas de fama nacional e internacional já possuem peças de roupas e outros artigos feitos de pet. Na lista das marcas amigas da natureza estão: Track & Field, Coca-cola, Mizuno, Redley, Rainha, entre muitas outras.

Foto: UOL


No Piauí algumas lojas que revendem as marcas ecológicas garantem que o cliente leva em conta sim, na hora de fazer as compras, o fator ambiental, e que uma linha de produtos ecologicamente corretos vendem até mais que os produtos agressores da natureza.

A gerente comercial Fabiana Matos afirma que os clientes gostam de saber que aquela marca se preocupa com o meio ambiente e muitos ficam até impressionados com a informação de que as peças tão confortáveis são feitas de garrafa pet. “Muitas vezes eu tenho que comprovar para as pessoas de que a peça é realmente feita de plástico, porque as pessoas acham os tecidos muito macios e confortáveis, de nada lembra o plástico”, confirma Fabiana.

Mas apesar das boas vendas, as peças ecologicamente corretas custam um pouco a mais para o consumidor. Enquanto uma camisa comum custa R$80, as camisas pet chegam a custar R$100. A diferença nos valores é explicada pelo processo moderno que transforma o plástico em peça de roupa. Sem contar os outros elementos utilizados na confecção dos artigos, que não são compostos só de plástico, mas também de algodão e outras matérias primas.

Para o consumidor consciente e que quer ajudar o meio ambiente e saber que está vestindo uma peça ecológica, a diferença no preço vale a pena. O estudante Ricardo Martins garante que compensa pagar mais caro por um material natural e que não agride o meio ambiente. “Nem todos podem pagar mais caro pelas camisas feitas de garrafa pet, mas é bom sempre fazer o esforço de comprar um produto que apesar de mais caro, é ecologicamente correto”, completa Ricardo Martins.



Processo

Com quantas garrafas pet se faz uma camisa? Duas! O processo de transformação de garrafas pet em camiseta – que é o tipo de produto mais comumente feito com o plástico – possui três fases. A intenção do processo é transformar o plástico em fibra, para, daí, serem confeccionadas as peças.

Na primeira fase as garrafas são recolhidas nos lixos, são retirados os rótulos e tampas, as garrafas passam por um processo de secagem e, em seguida, são trituradas em pedaços bem pequenos.

A segunda fase do processo consiste em uma fusão a temperatura de 300 graus Celsius e uma filtragem para a retirada de impurezas. Esse processo é repetido novamente em equipamentos que separam o pet em filamentos. Como resultado tem-se uma fibra cerca de 20% mais fina que o algodão.

A terceira e última fase é a estiragem, quando a fibra é transformada em fio e pode ser utilizada sozinha, para confecção de roupas e outros produtos, ao pode ser associada também a outros tecidos, como a seda e o algodão.

No Piauí

No Piauí a tecnologia utilizada para transformar a garrafa pet em fibra ainda não chegou. De acordo com o empresário Igor Leite, proprietário da marca Mundoposto, que confecciona e exporta bolsas, moda praia e roupas para algumas cidades do Brasil e até para o exterior, o aparato necessário para que um processo como esse aconteça é imenso, e por isso, as marcas piauienses ainda não conseguiram atingir esse nível.

“O aparato tecnológico, econômico e também as pesquisas que devem ser feitas para a utilização de um processo como esse, que transforma plástico em fibra para confecção de roupas, é muito grande. As empresas piauienses ainda são muito novas no mercado e ainda não atingiram esse nível de modernidade”, enfatiza Igor Leite.

Entretanto, o empresário afirma que aproveita e recicla o máximo que pode para minimizar os danos ao meio ambiente. “Nós fazemos muitas peças com pachwork, que é a mistura dos materiais que sobram para serem reutilizados em novas peças, e reciclamos o máximo de material possível”, completa o empresário.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Farelo de mamona apresenta grande potencial para a dieta de ovinos e caprinos

Lourdes Pereira

Hoje em dia muito tem se falado sobre o uso da mamona como alternativa para a geração de energia limpa. Mas, apesar da fama repentina da mamona, e não estamos falando aqui dos Mamonas Assassinas, pouco se tem pesquisado sobre o seu potencial para a nutrição animal. Assim, indo na contramão dos adeptos ao bicombustível, pesquisadores de agronomia da Universidade Federal do Piauí têm dedicado esforços para comprovar a eficiência desta planta para a alimentação de caprinos e ovinos, sem esquecer, é claro, da preservação do meio ambiente.

Não é nenhuma novidade que o Brasil apresenta vantagens naturais para a agricultura, mas o Nordeste e nele o Piauí, sofre com algumas limitações climáticas como a irregularidade pluvial. Por isso, planos de incentivos governamentais estão sendo formulados para favorecer o cultivo de oleaginosas adaptadas a estas adversidades visando a obtenção, entre outras coisas, de energia verde.

O interessante é que os subprodutos gerados com a transformação da mamona não estão virando poluentes ambientais e sim fonte de alimento para animais. Favorecendo também o barateamento nos custos de produção, pois algumas regiões piauienses apresentam baixa produção de grãos voltadas especificamente à formulação de rações concentradas, pois normalmente se dedicam a produzir para a alimentação humana.

Da semente da mamona utilizada para extração de óleo é retirado um subproduto, o farelo da mamona. Este farelo, gerado a partir de um processo químico, é normalmente utilizado como fertilizante de alta qualidade. Mas para o professor doutor do departamento de agronomia da UFPI, Arnaud Azevedo Alves, “não é justo transformar em fertilizante, este material que poderia estar sendo usado como alimento”. No Brasil, grande parte do farelo da mamona que é produzido destina-se à adubação orgânica, principalmente, para jardinagem, pois também é fonte de nitrogênio, fósforo e potássio.

Depois de estabelecer as características químicas, nutritivas e a viabilidade para o consumo do farelo de mamona, o trabalho dos pesquisadores agora está concentrado em avaliar as formas mais baratas de desintoxicar este material, já que alguns elementos antinutricionais o impedem de ser consumido em grandes quantidades sem trazer algum malefício à saúde do animal. Algumas pesquisas estão fazendo o processo de desintoxicação por meio de autoclavagem, que é mais ou menos uma espécie de cozimento do material, obtendo-se resultados satisfatórios. Mas ainda assim, este método se mostra pouco interessante do ponto de vista da conservação do meio ambiente e econômico, já que necessita de um gasto considerável de energia elétrica. Para resolver este problema, os pesquisadores ainda estão testando outros processos químicos para encontrar alternativas mais viáveis.


Alimentação

Atualmente, pela sua expressiva produção, o farelo da soja é a tradicional fonte protéica para ovinos e caprinos. Mas os resultados obtidos com as pesquisas podem fazer com que este hábito mude por causa das vantagens que a mamona pode trazer.

O beneficio econômico também pode ser notado quando as contas são feitas. O farelo de mamona possui 30% de proteína e o de soja possui 45%, mas quando consideramos o custo do quilo da proteína vamos encontrar o valor de R$ 0,30 no farelo de mamona e o de R$ 1,10 no farelo de soja. O que no fim das contas resulta que alimentar o seu animal com farelo de mamona sai muito mais barato.

Além dos custos, o desempenho nos animais também foi satisfatório, pois eles obtiveram maior ganho de peso com o composto misturado com farelo de mamona, considerando o mesmo período de alimentação, do que com o farelo de soja. “Quando substituímos o farelo de soja pelo de mamona obtivemos um ganho de peso de 170g” disse Arnaud se referindo as experiências com ovinos.

A ovinocultura se destaca no Brasil, mas as dificuldades com manejos são alguns dos empecilhos enfrentados pelos produtores, principalmente com a nutrição, pois ela é responsável pelo aumento da produtividade ovina e reflete na rentabilidade do sistema de produção. Assim, a dieta de melhor qualidade colabora para que os animais ganhem peso em menos tempo e tenha menos gordura na carcaça, seguindo desta forma, as exigências do mercado consumidor.

A mamona é encontrada facilmente em todo o Piauí e para o agricultor familiar há a possibilidade de produzir juntamente com outras culturas como milho, feijão, etc., a produção deve ser enviada para uma indústria de beneficiamento. E de lá o produto pronto para o consumo é levado para o produtor de ovinos, seguindo desta forma uma cadeia produtiva. Situação não muito favorecida pelo plantíl da soja, que é plantada de forma extensiva e geralmente se restringe à grandes produtores.