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domingo, 28 de junho de 2009

Após a enchente, agricultores aproveitam umidade do solo para plantar novamente

Fonte: Globo Rural

Agricultores da zona rural de Teresina, que tiveram prejuízos com a enchente, estão recebendo sementes para um novo plantio. Eles querem aproveitar a umidade das áreas de vazante para recuperar parte das perdas.

O agricultor Adaildo Braga tem um pequeno terreno na zona rural de Teresina. Em Janeiro, plantou feijão, mas perdeu tudo com as enchentes que em maio destruíram as lavouras e deixaram mais de 60 mil pessoas desabrigadas no Estado.

Agora, é hora de plantar novamente. Como o último período chuvoso foi intenso, na região será possível colher feijão e milho até o final do ano.

A área que foi alagada se transformou em terra fértil. A umidade do solo é o que vai garantir o crescimento da planta, sem depender de chuvas. É a chamada agricultura de vazante.

A distribuição das sementes vai até o fim de junho. Cada família receberá da prefeitura cinco quilos de feijão e três quilos de milho. Na margem do Rio Parnaíba. Sessenta famílias já iniciaram o plantio com as sementes que receberam do governo.

Segundo a Emater, Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural do Piauí, cinquenta e cinco toneladas de sementes de arroz, feijão e milho já foram distribuídas aos agricultores do Estado. São sementes para o plantio de vazante.


Assista o vídeo abaixo.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pesquisa estuda melhor sistema de plantio de milho para o Nordeste

Clara Rocha

Raimundo José de Sousa Rocha (foto) é professor do Colégio Agrícola de Teresina-CAT, formado em Agronomia pela Universidade Federal do Piauí-UFPI, Mestre em Ciência Animal pela UFPI e doutorando pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-UNESP, no campus de Jaboticabal-SP, com a tese sobre Adubação nitrogenada em milho cultivado em semeadura direta e convencional.

Durante as pesquisas da tese Raimundo José realizou experimentos para comparar dois diferentes tipos de sistemas de plantio, a semeadura direta – uma técnica recente surgida nos EUA – e a semeadura convencional – como o próprio nome já traduz, uma técnica mais comum. O pesquisador buscou avaliar e saber qual dos dois sistemas era mais eficaz para ser utilizado no Nordeste e melhorar a produtividade e a qualidade do solo na nossa região.

A sua pesquisa busca avaliar dois tipos diferentes de técnicas de plantio. Como aconteceu a pesquisa e qual é o seu objetivo com ela?

Essa pesquisa é um experimento de campo onde nós trabalhamos com milho avaliando doses de nitrogênio, que é um fertilizante, e dois sistemas de plantio (direto e convencional). Serão avaliadas seis doses de nitrogênio 0,40, 80, 120, 160 e 200 quilos por hectare. Já quanto ao sistema de plantio será testado o plantio direto, que é uma nova forma de preparo do solo, onde o solo só é arado e preparado no início do plantio, e o plantio convencional, que é aquele onde o solo é preparado todas as vezes que é efetuado um plantio.

O objetivo da pesquisa é saber qual a técnica que mais aumenta a produtividade do milho, através de diferentes doses de nitrogênio e tipos de plantio.

O que você descobriu com esse experimento?

Os resultados parciais têm demonstrado que o plantio direto é mais eficiente, pois esse tipo de técnica protege o solo contra a erosão e o desgaste e a produtividade do milho foi maior. Por outro lado, o plantio convencional tem se mostrado pior para o solo. O uso dessa técnica vai deteriorando o solo aos poucos, o que, em longo prazo provoca a erosão, perda da fertilidade, compactação do solo e redução na produtividade.

Plantações de milho por plantio convencional e por semeadura direta


Como surgiu a idéia de fazer essa pesquisa?

Surgiu com a preocupação de conservar e preservar os solos cultivados, que com o manejo corrente (plantio convencional) invariavelmente, com o passar do tempo, ocasiona erosão, perda da fertilidade e compactação do solo, diminuindo consequentemente a produtividade.

A minha idéia com essa pesquisa é testar esse novo modelo (o plantio direto), surgido primeiramente nos EUA e já utilizado no sul do Brasil, para ser utilizado também no Nordeste.

Quem podem ser os beneficiados por essa pesquisa?

Todos os agricultores podem se beneficiar com essa pesquisa, tanto os pequenos como os grandes. Os que se preocupam com a preservação do solo com certeza terão interesse em utilizar esta técnica do plantio direto.

Você acha que o agricultor piauiense irá aceitar o uso dessas novas técnicas?

Acredito que as pessoas vão ter uma certa dificuldade inicial pela forma que historicamente já vêm conduzindo a agricultura, entretanto com os resultados e divulgação dessas pesquisas onde os primeiros resultados demonstram uma maior produtividade nos solos manejados em plantio direto, e considerando ainda, que esse sistema é mais econômico pois utiliza menos implementos agrícolas, há de se crer que os agricultores adotarão essa nova técnica.

Como essa pesquisa ajuda a minimizar o impacto da agricultura no meio ambiente?

A pesquisa ajuda na medida que ela avalia e comprova as vantagens do manejo do solo com o plantio direto, dessa forma, os agricultores que utilizarem esta técnica – comprovada pelas pesquisas como a mais eficiente – estarão preservando o solo e consequentemente o meio ambiente.

Você acha que os estudos na área da agronomia estão preocupados em encontrar novas técnicas para preservar o meio ambiente e o solo?

Sim. Além dessa, inúmeras outras pesquisas avaliam aumentos de produtividade, testam níveis de erosão do solo, melhores doses de fertilizantes, evitando a aplicação excessiva dos mesmos, o que prejudica o meio ambiente. Outras pesquisas avaliam a quantidade de água que deve ser utilizada na cultura, também colaboram para o uso racional da água. Enfim, são inúmeras as pesquisas que buscam minimizar o desgaste do meio ambiente com a prática da agronomia.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Pesquisadores da Embrapa avançam nas pesquisas com bacuri para a produção em escala comercial

Lourdes Pereira
Foto: Arquivo Embrapa

Muita gente já comeu, viu ou pelo menos ouviu falar de bacuri, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Mas quem já viu um bacurizeiro? Ou um bacurizeiro plantado no quintal de casa e com frutos? Estas perguntas já são um pouquinho mais difíceis de responder. Assim, fazer com que a comunidade possa colher este fruto em escala comercial é um desafio enfrentado por alguns pesquisadores.

O bacurizeiro (Platonia insignis Mart.), espécie frutífera da família Clusiaceae, é uma planta tipicamente tropical, encontrado principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país. O fruto desta planta pode ser consumido in natura ou como parte integrante de sorvetes, cremes, refrescos, compotas e geléias.

Há uma tendência mundial para o consumo de frutas exóticas e/ou que sejam benéficas à saúde. E o bacuri se encaixa neste perfil, pois além de ser doce e ter aroma agradável, é diurético, cicatrizante, rico em resina, glicose, sais minerais e ainda é facilitador da digestão. Resumindo, a fruta tem potencial para o mercado interno e externo.

Entretanto, a maioria do que é produzido é comercializada in natura, principalmente, nas Centrais de Abastecimento (CEASAs), e feiras livres de Belém-PA, São Luís-MA e Teresina-PI. E por ter pouca produção, algumas grandes redes de supermercado comercializam a polpa congelada a preços superiores aos de outras frutas tropicais como o cupuaçu, o cajá, a goiaba e a graviola, por exemplo.

Dessa forma, para que o bacuri chegue à mesa do consumidor a preços mais acessíveis e possa ser cultivado para a geração de renda pelo pequeno produtor, pesquisas nesta área são desenvolvidas nos estados do Piauí, Pará e Ceará. Aqui no Piauí, as principais pesquisas são conduzidas pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Valdomiro Souza. Para ele essa “espécie pode estabelecer-se como uma nova e excelente alternativa para os mercados interno e externo de frutas exóticas. No entanto, apesar da sua importância social e do seu elevado potencial econômico, muito pouco tem sido feito para o conhecimento e uso dela que visem o desenvolvimento de cultivares ou de práticas adequadas de cultivo e manejo”.

Aqui no Piauí, além da Embrapa, pesquisas na Universidade Federal do Piauí (UFPI) também contribuem para a preservação desta e de outras espécies frutíferas selvagens. Este trabalho é feito pelos pesquisadores Edson Basílio, Júlio Cesar Lopes e Adriana Lopes. “A nossa preferência em trabalhar com essas mudas, é pela dificuldade em encontrar esses tipos de polpa no mercado. A gente tenta trabalhar ainda produzindo mudas de qualidade. São valores como tamanho da planta, boa produção e o período de produção do fruto” ressaltou Júlio César Lopes.


Dificuldades e avanços

Mas como dizem “nem tudo são flores”. O problema é que o bacurizeiro é uma planta sazonal, ela se desenvolve somente nos períodos de janeiro a abril e apresenta dificuldades de ser reproduzida em cativeiro e por isso é ameaçada de extinção. A forma de colheita do fruto ainda é o arcaico sistema extrativista.

Só recentemente, através dessas pesquisas, foi possível entender que para plantar bacuri é necessário alguns cuidados com a semente e ter alguma paciência. O período normal para a maturação do bacurizeiro leva de dez a quinze anos. Mas, os resultados alcançados por pesquisadores da Embrapa reduziram este período para aproximadamente quatro anos, além de conseguir diminuir o período de germinação da muda da planta de dois anos para um ano e três meses.

A Pesquisa da Embrapa Meio Norte trabalha em três linhas: a primeira busca resgatar a variação genética da espécie, pois com o avanço das fronteiras agrícolas vem diminuindo bastante ao longo dos anos; a segunda é a melhoria na propagação que pelo método natural ocorre pelas sementes ou por brotações que surgem, espontaneamente, nas raízes das plantas adultas; e a terceira é a produção em larga escala.

Desde 1998 são feitas experiências de propagação e técnicas de cultivo, que buscam desenvolver tecnologias que permitam a exploração econômica do bacuri. “A gente tem trabalhado para conseguir produzir a muda a fim de que a comunidade possa plantar de forma racional, além de evitar que a espécie se perca em função do desmatamento, especialmente em áreas de cerrado para o cultivo da soja” disse Valdomiro Souza, pesquisador da Embrapa. Para ele, o problema da propagação já foi superado. As técnicas de enxerto desenvolvidas nos centros de pesquisa já são capazes de produzir grandes quantidades de mudas.

Outro problema relacionado por Valdomiro Souza é o aparecimento de doenças causadas por fungos no bacurizeiro durante o período de crescimento da planta, mas o problema ainda persiste porque no Piauí não existe fitopatologista para estudar a doenças e combatê-la.

Apesar das dificuldades, os avanços alcançados são animadores e estão apenas em sua fase inicial. A boa expectativa é gerada pela grande procura pelo fruto de seus produtos por importadores, fruticultores, distribuidores e pela demanda em geral da população.