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sábado, 4 de julho de 2009

Estudantes participam de projeto para desenvolver o turismo sustentável

Misael Rodrigues

Com o objetivo de desenvolver projetos para promover o desenvolvimento de condições básicas para o turismo sustentável na região da serra da Ibiapaba, alunos do curso de comunicação social da UESPI fazem parte do Projeto Mosaico. O projeto contempla cidades como Piripiri e Luis Correia e também cidades do Ceará.

Esse trabalho visa a elaboração do Plano de Desenvolvimento Territorial com Base Conservacionista (DTBC), através de diversas ações, como a produção de material impresso e de serigrafia, a realização de seminários para a apresentação do projeto em diversos municípios, bem como a detalhar o perfil das atividades produtivas com potencial para o turismo sustentável, através de um questionário a ser aplicado junto aos principais setores envolvidos nessas atividades.

Essas ações são importantes no sentido de conter as principais ameaças à biodiversidade, como o lixo, o corte ilegal de madeira, tráfico de animais silvestres e a caça predatória. Das cinco unidades inseridas no mosaico proposto, quatro são federais e uma estadual. São elas: Parque Nacional de Ubajara, Área de Proteção Ambiental da Serra da Ibiapaba, Floresta Nacional de Sobral, Parque Nacional de Sete Cidades e Área de Proteção Ambiental da Bica do Ipu.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sustentabilidade: quais as vantagens em inserir sua empresa no contexto ambiental?

Denise Cordeiro

A cada dia, mais e mais empresas começam a investir em sustentabilidade social com projetos voltados para a preservação do meio ambiente. Em entrevista, a professora do curso de Economia da UFPI e professora do Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente da instituição, Jaíra Gomes, explica porque é vantajoso para um empreendedor trabalhar a questão ambiental.


Sociedade e empresas

Muitas grandes empresas, de diversos ramos de vendas e serviços, já começaram a desenvolver projetos ambientais - como vender sacolas retornáveis - e junto a isso, desenvolver ações no sentido de receber retorno do seus clientes. Quais são as vantagens para uma empresa em trabalhar com projetos ambientais?

A empresa faz parte da sociedade, e hoje, como você tem toda uma mudança nessa problemática ambiental, então não se pode mais apenas priorizar a área econômica de uma companhia. Em uma sociedade sustentável, a empresa precisa se desenvolver de uma forma sustentável. Isso significa trabalha várias dimensões dessa sustentabilidade, e com isso, a empresa que está vinculada ao lado produtivo e à sociedade, precisa se adequar à essa nova sociedade.

Como você acredita que esta adequação vem sendo feita?

Atualmente, as empresas já começaram a modificar seus processos de produção. Por exemplo: se uma empresa era altamente poluidora, não colocava nenhum tipo de filtro de ar, então ela começa a procurar adequar sua produção a esse contexto.


Legislação

A legislação brasileira tem influenciado na mudança de comportamento das empresas? Como?

Os países constituíram a legislação para que você tenha ações efetivas como multa, taxas, etc, para ordenar empresas que estejam impactando o ambiente de forma negativa. Portanto, as empresas tem esse aspecto de se adequar às leis federais, estaduais e municipais. Além disso, ainda tem o outro aspecto da diminuição dos lucros da empresa que não esteja de acordo com as legislação: se você paga multas por não estar de acordo com a lei, é uma verba perdida.

Apesar disso, não basta elas apenas incorporaram essa nova legislação, mas também essa nova visão da sociedade em relação ao meio ambiente, elas precisam ter uma modificação em termos sustentáveis.


Marketing

Percebemos que atualmente o ecologicamente correto se sobressai na sociedade. Há uma preocupação muito grande por parte da população em mostrar que faz sua parte consumindo produtos biodegradáveis. As empresas também podem levantar essa bandeira como uma iniciativa de marketing, não?

Certamente. Quando se muda em termos de sustentabilidade, a empresa tem uma série de vantagens, no sentido de que elas tem uma boa imagem, a questão do marketing da empresa, de como a sociedade a vê. Isso é muito importante.

Então hoje, inclusive, você vários institutos mundialmente e aqui no Brasil que premiam essas empresas de acordo com os projetos por elas organizados, e isso é mostrado à sociedade que passa a ver essa empresa com bons olhos, e essa mesma empresa se torna conhecida por sua responsabilidade social e ambiental.

Portanto, não se pode mais apenas se preocupar com o lucro, existem diversas áreas para onde ela deva se voltar, porque o modo como a sociedade vê essa empresa, a lucratividade dela vai melhorar ‘Ah, eu vou comprar produto da empresa X porque ela trabalha em prol do meio ambiente’.

As pessoas vão comprar de uma empresa ecologicamente correta.


Incentivos

A mudança de postura de certas empresas em adotar maiores cuidados com o meio ambiente também pode ser atribuída a benefícios financeiros por parte do Estado?

Existem os incentivos fiscais dados pelos governos como concessão de ICMS e/ou isenção de outros tributos, além de dar infra-estrutura para empresas que vão trabalhar projetos de desenvolvimento sustentável. Os ganhos hoje para aquelas que trabalham dessa forma são variados. Ela também ganha competitividade e pode ter ampliação de seus produtos, ampliação de mercado, à medida que os consumidores passam a enxergá-la como uma empresa que se preocupa com o meio ambiente.

Hoje as empresas tem em seus organogramas, um setor voltado para meio ambiente, onde vai se trabalhar essa questão. Elas tem investido em tecnologias e procurado inovar dentre dessa ótica, baseada em tecnologias que diminuem água, energia, e reutilizam produtos que seriam descartados. Elas procuram retirar o mínimo possível desse meio ambiente como também procuram devolver o mínimo possível que possa degradar esse ambiente.


Âmbito Social

Como você acredita que se deu essa mudança? Foi a sociedade que exigiu mudanças nas empresas, ou foram as empresas que fizeram a sociedade mudar sua visão “ambiental”?


Nem um, nem outro. A empresa faz parte da sociedade, e se a sociedade muda ela tem de mudar com ela. A sustentabilidade é uma atividade rentável. Se não fosse, tantas empresas não investiriam nisso. Além de ganhos financeiros, elas podem ter ganhos de marketing e incentivos. Investir na área ambiental é um processo com retorno garantido.


As empresas e suas experiências

Empresas como os Grupos Claudino e Carvalho são exemplos de rentabilidade. Para a rede de supermercados Carvalho o ano de 2008 foi de importantes mudanças no quesito gestão ambiental. Com o intuito de diminuir os danos causados ao meio ambiente através do lixo, o Grupo Carvalho dedicou atenção especial à coleta seletiva.

O processo de coleta e seleção do lixo, feito por empresas terceirizadas que recolhem e promovem a reciclagem do material, separando o lixo orgânico, latas, papéis, metais e vidros, evitou o desperdício de toneladas de materiais que puderam ser reaproveitados.

Dessa forma, além de livrar o meio ambiente desses resíduos, a iniciativa promoveu a geração de emprego e renda para centenas de pessoas e, consequentemente, uma visibilidade maior em termos de marketing para a empresa.

Em relação aos consumos de água e de energia elétrica, foram desenvolvidas metas de redução e a conscientização dos funcionários para o uso racional desses recursos, além da utilização de telhas transparentes, fonte limpa de energia – que aproveita a luz solar – nas filiais recentemente construídas, o que gerou lucros financeiros à empresa.

Ainda visando à minimização dos efeitos nocivos do plástico ao meio ambiente, o Carvalho passou a oferecer aos seus clientes as bolsas “biobags”, feitas em algodão, que substituem as sacolas plásticas nas compras de menor volume.

Já o Grupo Claudino não ficou de fora da “onda ambiental”. Restos de materiais utilizados para a produção de colchões, estofados, que deveriam ser jogador fora são reaproveitados, parte refazendo a matéria-prima e parte vendidos para empresa recicladoras desse material, o que influencia na área financeira da empresa.

Desenvolvido em 2002/2003, com o projeto “Sinal verde para a natureza” a empresa cresceu muito. Quando as fábricas foram ampliadas, desmatamentos ocorreram na área para dar espaço aos novos empreendimentos. Para compensar as perdas de vegetação no local, foi feito um programa de educação ambiental com os funcionários e os filhos dos funcionários, onde todos plantariam uma árvore nos terrenos da empresa.

Nessa época, também se iniciaram os projetos de coleta seletiva: todo plástico, papelão e boa parte da sucata que ia para o aterro, nós começou a ser vendido para empresas especializadas em reciclagem.

“Nós investimos em coletores, palestras educativas para os funcionários, mas tivemos um grande retorno. Só no ano passado, cerca de 130 toneladas de resíduos não foram enviados para o aterro”, disse Fabrício Sá, supervisor ambiental da Socimol, empresa do Grupo Claudino.

“A gente tem que transformar o que seria desperdício em oportunidade. Se a gente economiza energia, então é bom pra gente e é bom pro meio ambiente”, concluiu.


Educação Ambiental

O Sebrae também trabalha com seus micro e pequenos empreendedores essa visão ambiental. Segundo a assessoria de comunicação do órgão, vários projetos sustentáveis são repassados aos empresários e diversos trabalhos existem na área, no entanto, os responsáveis por estes projetos não puderam conceder entrevista à reportagem, pois não se encontram em Teresina.

sábado, 20 de junho de 2009

Plano Nacional de Agroenergia pode transformar Piauí em grande produtor de dendê

Sanmya Meneses
Fotos: Embrapa

O Plano Nacional de Agroenergia é uma iniciativa do Governo Federal e objetiva, a partir da análise da realidade da matriz energética mundial, organizar uma proposta de pesquisa, desenvolvimento e de transferência de tecnologia no Brasil. Tendo como pilar a sustentabilidade, o plano abrange estudos que visam aperfeiçoar a integração entre agricultura e alternativas de geração de energia.

No Piauí, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária da região Meio Norte (Embrapa- Meio Norte) possui uma plataforma específica para essa atividade onde é desenvolvido um trabalho que visa ampliar os agentes das cadeias de agroenergia, em conformidade com as políticas públicas das áreas energética, ambiental, agropecuária e de abastecimento de cada região. Em entrevista, o pesquisador Eugênio Emérito fala da Plataforma de Agroenergia da Embrapa e de novidades sobre os investimentos na produção de óleo a partir do dendê no estado do Piauí.

Em que consiste a agroenergia e quais são as vantagens desse tipo de produção enérgica?

É possível definir Agroenergia como toda a energia produzida a partir de produtos agropecuários e florestais, ou seja, é a energia oriunda da natureza. O que se busca de fato é a diminuição da dependência do petróleo como matriz energética e reduzir dessa forma, a emissão de gases poluentes que é a grande conseqüência da utilização do petróleo como fonte de energia. A agroenergia se apresenta como uma alternativa rentável e, sobretudo, sustentável.

De que forma é trabalhada a plataforma de energia que é desenvolvida na Embrapa Meio Norte?

Nós trabalhamos com quatro grandes projetos. O primeiro deles é voltado para o biodiesel, de forma que os estudos são direcionados para ampliar tecnologias de culturas que tenham o potencial para a produção de óleo, como por exemplo: a soja, o girassol, a mamona e o dendê. O segundo é voltado para a produção do etanol e a implementação da cultura de cana-de-açúcar (matéria prima do etanol) em áreas que não possuem a tecnologia. Nossas áreas de abrangência são nesse caso o Piauí, o Maranhão e algumas regiões do Tocantins.

No terceiro projeto contemplamos as florestas energéticas e nosso trabalho consiste em estudar a melhor forma de gerar energia a partir de espécies florestais como a lenha e o carvão. E por fim, temos um projeto voltado para fontes alternativas de biodiesel, explorando espécies que não são tão comumente utilizadas para a produção de energia. O que diferencia esse projeto do primeiro citado, é exatamente a exploração de matérias-primas que não são frequentemente usadas e que geralmente possuem uma baixa produtividade de óleo. Nessa categoria incluímos o pinhão manso a macaúba, a carnaúba, dentre outras palmeiras.

Recentemente o governo da Indonésia esteve no Piauí para avaliar o potencial do estado para a implantação de novas áreas para o cultivo de dendê para a fabricação de óleo. O que justifica esse interesse no produto brasileiro?

A Indonésia se configura como a maior exportadora mundial do produto, com uma produção em torno 16 milhões de toneladas por ano. Por se localizar entre arquipélagos o país possui limitações de áreas para o cultivo e, consequentemente, precisava encontrar uma alternativa para manter o mercado e a demanda mundial. A opção foi o Brasil pela proximidade com os Estados Unidos e também pela disponibilidade de terras relativamente baratas. Assim, o governo da Indonésia conheceu a unidade de observação com dendê da Embrapa Meio Norte, que fica localizada em Teresina. Instalada desde 2005 numa área de meio hectare, ela é nossa primeira experiência de avaliação do produto nas condições da região meio norte.

Existe hoje uma forte demanda por resultados de pesquisas com o dendê sob irrigação no Nordeste principalmente em função de um distúrbio chamado ‘amarelecimento fatal’, que está inviabilizando o cultivo em regiões tradicionais de produção, como a Amazônia.

Houve dificuldade na adaptação do dendê à região Nordeste?

Para que a planta de dendê expresse todo seu potencial de produção são exigidas certas condições de clima associadas à práticas adequadas de manejo da cultura. Uma dessas condições é uma precipitação de aproximadamente 200 milímetros de chuva por mês, que no Brasil só acontece na região amazônica. Nesse sentido, nós temos que trabalhar sob irrigação para que a cultura possa se desenvolver de forma positiva. Outro aspecto importante é a insolação, uma vez que essa planta tem uma intensa atividade fotossintética, exigindo duas mil horas de luz, bem distribuídas ao longo do ano, que veio a se encaixar com o perfil do clima da nossa região.

Com relação a aspectos econômicos é possível afirmar que o dendê possa ocupar futuramente uma posição de maior destaque do que outras culturas que já são desenvolvidas há mais tempo na produção de biocombustível?

Sim. Existe uma diferença entre as culturas no que diz a produção e a transformação desse recurso natural em óleo. Nem sempre o cultivo de determinada espécie rende uma produção intensa de biocombustível; já que cada recurso natural possui suas características próprias com maior ou menor potencial energético. Uma comparação bem interessante é a da soja e do dendê: enquanto o dendê rende cerca de 4 a 10 toneladas de óleo por tonelada a soja gera apenas 600 kg de óleo.

É exatamente por esses aspectos que futuramente será muito mais rentável trabalhar com essas novas alternativas, que não se resumem apenas ao dendê. Algumas culturas selvagens que possuem grande potencial, como as palmeiras e o pinhão manso estão aos poucos trabalhadas para serem inseridas no mercado.